Quando eu crescer quero ser eu.


O ser humano tem uma capacidade de adaptação formidável. Dependendo das etapas a serem vencidas e do tempo disponível para isso a vida não é vivida, é sobrevivida. Aquele que se desloca em sobrevida nem sempre percebe por onde passa.
Bem, e lá estou eu arrumando pela enésima vez meus livros.
Quanto mais eu pegava parte dos titulos mais me encantava com os assuntos. Claro, que separei alguns pra folhear se eu sobreviver a arrumação....
O mais incrível é que posso lembrar exatamente de cada situação em que o livro foi adquirido, o que eu fazia na época, quem eu era.
Fica bem clara a presença de um círculo de pessoas em torno dos assuntos que quase sempre eram parte de alguma "tribo". Mais ainda fica possível constatar como é efêmero o convívio com essas pessoas. Como se estivéssemos todos numa esteira rolante individual e que nos fosse permitido alguma companhia no trajeto.
Claro que algumas poucas pessoas permanecem por algum tempo a mais e até por um pequeno "sempre" que é interrompido pela onda do excesso de movimento moderno.
Impossível é não admirar alguém que leu tantos livros, ainda mais tendo nascido numa casa sem nenhum.
Mostrando aos filhos, que moram comigo virtualmente, disse que estava em retiro de Carnaval fazendo vivencia de reorganização psicológica através da ordenação do espaço residencial. Coisa de arquiteta.
Real ou não - é real pra mim- saio da vivência com uma orientação interior: quando eu crescer quero ser eu!

Texto&Imagem - Barbara Rachid
Em 03/03/19
Escrito no Estudio Rachid